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Após a conclusão da etapa de identificação, a organização passa a ter em mãos as evidências iniciais sobre possíveis perigos presentes no ambiente de trabalho. No entanto, apenas identificar a “pista” não é suficiente para estruturar o Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR). O próximo passo é dimensionar tecnicamente a gravidade do problema.

Nesse sentido, inicia-se a etapa de avaliação de riscos psicossociais. Diferentemente dos riscos físicos, cuja relação de causa e efeito tende a ser linear, os fatores psicossociais exigem uma análise multifatorial complexa. Para que a classificação seja precisa e atenda às exigências da Norma Regulamentadora nº 01 (NR-01), o Método TEKOA estabelece o cruzamento de dois eixos principais: o Nível de Exposição e o Nível de Severidade.

1. Como classificar o Nível de Exposição?

Em primeiro lugar, a exposição refere-se à probabilidade de o dano ocorrer. Contudo, na gestão psicossocial, essa probabilidade não é definida por um único fator. Ela é o resultado de uma análise composta por duas variáveis fundamentais:

  • A Abrangência do Fator: Consiste em avaliar o alcance (quantos trabalhadores são impactados) cruzado com a frequência (com que regularidade o fator se manifesta na rotina). Por exemplo, um risco que afeta toda a equipe diariamente possui uma abrangência muito maior do que um evento atípico que atinge apenas um indivíduo.
  • A Eficácia dos Controles: Avalia a existência ou a qualidade das barreiras de proteção que a organização já implementou. Ou seja, a medida preventiva é meramente teórica e inadequada, ou é funcional e acessível a todos?

Consequentemente, ao cruzar a Abrangência com a Eficácia dos Controles, a organização obtém o Nível de Exposição final, que pode variar de mínimo a extremo.

2. Como classificar o Nível de Severidade Efetiva?

Por outro lado, o eixo da Severidade diz respeito à intensidade da consequência para a saúde do trabalhador. O grande desafio analítico dessa fase é compreender que o dano potencial varia de acordo com o cenário real de cada equipe.

Dessa forma, para fugir da subjetividade, a avaliação deve triangular a teoria com a realidade por meio de dois passos:

  • O Potencial Teórico: Qual é a gravidade clínica provável do dano associado àquele fator de risco? Algumas condições apresentam riscos inerentes altíssimos, como o desenvolvimento da Síndrome de Burnout ou de Transtornos de Ansiedade Generalizada (TAG).
  • A Modulação pelo Cenário Laboral: O ambiente real está saudável ou disfuncional? Essa etapa ajusta a severidade final. Por exemplo, se a equipe apresenta um cenário funcional, absorvendo bem a demanda sem relatos de sofrimento nos canais sigilosos, a severidade teórica é atenuada, caindo um nível na classificação. Em contrapartida, se os dados de atestados médicos e rotatividade revelam que o grupo já está adoecendo ativamente (cenário disfuncional), a severidade é agravada para o nível máximo.

O Cruzamento Final: A Matriz de Risco Ocupacional

Finalmente, com os dois eixos devidamente mapeados e modulados pela realidade do ambiente, a organização executa o cruzamento decisivo: a Exposição combinada com a Severidade Efetiva.

Esse cruzamento é o núcleo da gestão. O resultado matemático define o Nível do Risco Ocupacional (Psicossocial), classificando-o como Baixo, Médio, Alto ou Crítico. Portanto, é este indicador final que ditará a prioridade, a urgência e o rigor financeiro do Plano de Ação.

Conclusão: Segurança jurídica e técnica

Em resumo, a avaliação de riscos psicossociais não permite achismos. A NR-01 exige transparência e rastreabilidade nos critérios de tomada de decisão.

Ao utilizar uma metodologia de duplo cruzamento, a organização garante que o Inventário de Riscos seja perfeitamente auditável e integrado aos documentos oficiais (como AEP e PGR). Acima de tudo, a empresa deixa de agir por intuição e passa a concentrar seus investimentos em ações de controle e prevenção exatamente onde o ambiente de trabalho mais necessita.

Texto: Júlio César de Castro Ferreira