Mind Skill

Atualmente, a gestão de riscos psicossociais deixou de ser uma tendência para se tornar uma obrigatoriedade nas empresas brasileiras. Contudo, ao tentar se adequar rapidamente à Norma Regulamentadora nº 1 (NR-01), muitos gestores cometem um erro fatal: iniciar a gestão psicossocial sem antes preparar o “terreno” da organização.

Segundo o Guia do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), a chave para o sucesso na identificação e na avaliação dos fatores de risco reside justamente em um bom planejamento e em uma boa preparação. Sendo assim, mergulhar na execução sem planejamento prévio é o caminho mais curto para o desperdício de tempo e recursos.

Por que a preparação é o alicerce da gestão psicossocial?

De fato, a etapa de preparação atua como a base que sustenta toda a engrenagem da gestão psicossocial. O Método TEKOA utiliza uma conhecida analogia, perfeita para ilustrar esse cenário: tentar implementar ações visando os riscos psicossociais sem a fase preparatória é como construir uma casa sobre a areia. Sem um alicerce sólido, todo o sistema pode desmoronar diante da primeira barreira cultural ou dificuldade técnica.

Para evitar que a gestão psicossocial se torne apenas um “documento de gaveta”, o Guia do MTE sugere ações e procedimentos rigorosos. Quando a organização estrutura bem esse momento, as chances de ações superficiais e ineficazes desaparecem.

As 8 ações fundamentais para uma preparação de sucesso

Para que uma organização esteja verdadeiramente pronta para mapear e gerenciar perigos muitas vezes invisíveis, é vital estruturar os seguintes pilares estratégicos:

1. Mapeamento do contexto da organização: Antes de aplicar qualquer ferramenta, conheça o cenário real. É indispensável levantar informações sobre os departamentos, o processo produtivo, as tarefas efetivas e as características dos trabalhadores.

2. Levantamento sobre a saúde atual: Analisar os registros de acompanhamento médico e os indicadores de saúde da equipe permite identificar padrões que funcionam como um termômetro preventivo para a empresa.

3. Definição de critérios claros: A organização precisa estabelecer e documentar expressamente os critérios de probabilidade e severidade para a avaliação de riscos. Essa clareza é exigida pela Inspeção do Trabalho, e o Método TEKOA propõe uma matriz funcional e segura, totalmente adequada.

4. Abordagem multidisciplinar: A estratégia de saúde mental não deve ser um esforço isolado. Ela exige uma visão conjunta envolvendo a engenharia de segurança (SESMT), a medicina do trabalho, o RH e a psicologia.

5. Seleção de ferramentas adequadas: O MTE não impõe uma ferramenta única. Por isso, a empresa e seus especialistas precisam escolher os questionários, ferramentas ou avaliações que melhor se alinhem à sua cultura e realidade.

6. Garantia de sigilo e anonimato: A segurança psicológica do trabalhador deve ser inegociável. Sem a certeza absoluta de privacidade, as respostas serão apenas “de fachada” e inúteis para o diagnóstico.

7. Criação de uma cultura de confiança: É vital eliminar o tabu sobre a saúde mental e quebrar o medo da exposição. A cultura de confiança é a verdadeira base da gestão psicossocial.

8. Capacitação em soft skills: A capacitação é a mola propulsora do processo. Os profissionais e líderes envolvidos precisam desenvolver inteligência emocional e habilidades sociais para lidar com as complexidades da mente humana.

Conclusão: Planeje hoje para colher resultados amanhã

Em resumo, ao estabelecer de forma robusta as ações da etapa de preparação, a sua organização deixa de apenas “cumprir tabela” com a legislação. Ela passa a estar plenamente capacitada para a fase de identificação, onde os perigos começarão a ser mapeados com precisão e técnica.

Portanto, não pule as etapas. Investir tempo na capacitação dos seus líderes e na estruturação do seu processo de SST é o que definirá a eficácia da gestão psicossocial na sua empresa, blindando o negócio e protegendo a vida dos colaboradores.