
O ano de 2025 foi marcado pela divulgação do esperado “Guia de informações sobre os Fatores de Riscos Psicossociais Relacionados ao Trabalho” pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). Essa publicação firmou definitivamente a necessidade de as corporações tratarem a saúde psicológica de seus colaboradores com a mesma seriedade e rigor técnico exigidos para a segurança física.
Contudo, os setores de Recursos Humanos (RH), SESMT e os líderes das empresas deparam-se com um desafio evidente: de que maneira colocar essas normas em prática, criando um procedimento aplicável e passível de auditoria? Somado a isso, surge a dúvida de como administrar o caráter subjetivo inerente a esse formato de adoecimento no trabalho.
Com o intuito de solucionar essa questão, o Método TEKOA interpreta e sistematiza as orientações oficiais advindas do MTE. Assim, a metodologia esquematiza o ciclo integral necessário para a aplicação das fases de gerenciamento dos riscos psicossociais. Ao seguir essas etapas primordiais, a companhia assegura resultados positivos e previne o acúmulo de passivos na justiça do trabalho. Acompanhe a seguir como funciona esse passo a passo:
Etapa 1: Preparação (O alicerce)
Primeiramente, o planejamento adequado é o segredo para ter êxito ao identificar e avaliar possíveis ameaças. Um equívoco frequente é buscar aplicar formulários sem antes preparar o ambiente adequadamente. Portanto, essa etapa demanda:
- Mapeamento: Compreender o funcionamento dos setores, as funções exercidas e as características dos funcionários.
- Levantamento de Saúde: Fazer um estudo prévio das informações contidas no PCMSO, observando índices de atestados e licenças.
- Garantia de Sigilo: Selecionar os instrumentos corretos e garantir sigilo total, visando obter a confiança do time.
- Capacitação: Desenvolver as habilidades comportamentais (soft skills) dos gestores para lidarem adequadamente com essa nova exigência.
Etapa 2: Identificação (A triagem)
Na sequência, a meta é procurar por indícios e atestar se há perigos presentes no local de atuação. Ao contrário das ameaças físicas, os riscos de ordem psicossocial agem de maneira subjetiva e oculta. Logo, para que a identificação seja bem-sucedida, é preciso integrar informações qualitativas e quantitativas utilizando:
- Questionários anônimos de pesquisa.
- Canais de opinião e denúncia terceirizados.
- Análise de métricas dos Recursos Humanos, buscando dados como as altas taxas de rotatividade (turnover) ou faltas (absenteísmo).
- Acompanhamento presencial da rotina e do ritmo de trabalho.
Etapa 3: Avaliação (A classificação do risco)
Munido dessas evidências, o próximo passo é mensurar a criticidade da situação. É exatamente neste momento que a gestão identifica a origem exata da adversidade (sua causa raiz) e estipula qual é o Nível de Risco Ocupacional. Para isso, o Método TEKOA cruza o Nível de Exposição com a Severidade Efetiva do dano. Como resultado, essa avaliação definirá se o processo permanecerá em nível de AEP ou se exigirá um aprofundamento rigoroso via AET.
Etapa 4: Controle (O cuidado com o presente)
Tão logo o risco seja localizado e classificado, a organização deve intervir de pronto para frear os prejuízos. É a hora de colocar em prática o plano de ação, que deve estar alinhado à AET ou AEP, além de incluído no Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR). O propósito central desta fase de controle é agir como um “medicamento” para o problema, dividindo as táticas em:
- Supressão: Extinguir completamente a origem do risco, o que pode envolver o afastamento de um indivíduo abusivo ou a reformulação de objetivos que são matematicamente impossíveis de bater.
- Atenuação: Estabelecer mecanismos de alívio caso o risco faça parte da natureza do trabalho. Isso engloba fornecer apoio terapêutico ativo, promover pausas para descanso mental e investir em capacitações de competências socioemocionais (soft skills).
Etapa 5: Prevenção (A vacina organizacional)
Se o controle lida com o “agora”, a prevenção foca na construção de um amanhã seguro. O intuito principal é organizar os métodos e o próprio espaço de trabalho. Acima de tudo, a instituição precisa cultivar uma cultura corporativa que priorize o bem-estar emocional, impedindo que elementos tóxicos encontrem espaço para crescer. Tais práticas envolvem garantir um ambiente psicologicamente seguro, oferecer políticas de flexibilidade, apresentar planos de carreira transparentes e promover a educação constante voltada à Inteligência Emocional.
Etapa 6: Monitoramento (O aperfeiçoamento contínuo)
Por último, o processo de gestão não se encerra com a simples aplicação do Plano de Ação. A companhia tem a obrigação de demonstrar a efetividade de suas medidas, especialmente para fins de fiscalização. Portanto, o acompanhamento deve se basear em indicadores de performance (KPIs), verificando, por exemplo, a diminuição no número de atestados médicos por transtornos mentais e o declínio das queixas. Em síntese, a aplicação do ciclo PDCA assegura que o processo evolua e se adapte continuamente diante de novas realidades.
Considerações finais: O ciclo que blinda a empresa e protege as pessoas
Para resumir, executar de forma adequada todas as etapas da gestão de riscos psicossociais transcende a mera obrigação normativa. Na realidade, representa uma tática essencial para a sobrevivência corporativa e expansão da empresa. Quando a corporação implementa uma metodologia estruturada, a exemplo do TEKOA, ela deixa de lado o “achismo” e o improviso. Consequentemente, o negócio se blinda contra eventuais penalidades aplicadas pelo MTE e de onerosos passivos na justiça do trabalho. E o principal, fomenta-se um clima que equilibra a segurança psicológica com entregas de alta performance.